Levado pelo vento: o que a vida Nele
se parece ( parte 1)
Por Wayne Jacobsen
Fevereiro de 2007
Ele era um líder religioso que encontrou Jesus no meio da
noite. Ele sabia que os milagres de Jesus eram prova de que Deus estava com Ele
e ele queria ser parte desse reino. Mas
ele não tinha ideia do que seria pedido a ele.
Quem sabe Nicodemos queria umas instruções, novas regras que
o deixariam viver como Jesus. Mas Jesus não lhe deu nenhuma coisa nem outra. Ele
simplesmente disse que ele precisaria nascer de novo. Isso fez a cabeça do
Nicodemos entrar em parafuso, pois ele tentava conceber como isso aconteceria,
ele , um velho, nascer outra vez. Jesus com certeza sorria para ele nesse
momento. Não era um novo nascimento físico que Nicodemos precisava, mas sim um
espiritual. Ele já sabia muito bem como viver nesse mundo. Se ele queria
aprender a viver nesse novo reino que viria ele precisava nascer do Espirito.
Por que? Porque nada desse reino pode ser visto, perseguido ou alcançado pela
carne, independente das intenções. É muito contrario a qualquer modo que nossa
carne pensa ou age.
O que mais me impressiona
aqui é que não havia qualquer conflito entre a carne de Nicodemos e sua posição
como líder religioso. Enquanto sua religião, até certo ponto, restringia os
apetites carnais, também provia um jeito dele saciar outros, como cobiça por
poder ou status. Mas o reino que Jesus estava trazendo era diferente. Nao foi
oferecido a Nicodemos outra forma de performance, mas um jeito totalmente
diferente de se viver. Para realizar isso era necessário nascer de novo no
Espirito, que abriria seus olhos espirituais. Foi quando Jesus falou: O vento
sopra aonde quer. Voce ouve o vento, mas
não sabe de onde vem nem para onde vai. Assim são os que nasceram pelo Espirito
( Joao 3:8)
Eu entendo como o Espirito pode ser como o vento, não
podendo ser definido ou controlado, mas o pensamento aqui é que aqueles que são
nascidos do Espirito são assim, isso me cativou desde da primeira vez que li,
ainda jovem. Não lembro quem estava
lendo ou onde seu estava, mas lembro como nesse dia essas palavras encheram meu
coração com um ar de mistério e aventura. Toda vez, desde então, que eu escuto
essas palavras no evangelho de Joao, isso reacende essa paixão de viver desse
mesmo modo.
Nascido de Novo
Certamente ninguém deu muita atenção a essa passagem nos
últimos 50 anos aplicando o termo “nascido de novo” a qualquer um que fez a
oração do pecador, foi batizado ou aqueles que acompanham um estudo bíblico ao
invés de algo mais liberal. O termo “nascido de novo” é comumente usado hoje em
dia com o termo evangélico para validar uma porção do Cristianismo e questionar
a fé de outros que não usam tal jargão. Nós pegamos um termo que Jesus usou
para chamar as pessoas para seu reino no termo mais divisor entre os cristãos,
prova de que erramos seu ponto completamente.
Se Jesus fosse definir seu reino por uma crença, esse foi o
momento em que Ele o fez. Se Nicodemos visualizasse o reino por seguir certas
regras ou sacramentos ou ensinando as éticas do modo de vida divino, Jesus
teria dito naquela hora para ele. Jesus não estava redefinindo a religião do
Velho Testamento, Ele oferecia um novo caminho de vida que era indefinido e
incompreensível pela mente natural.
Nicodemos não precisava de novos princípios, ele precisava
recomeçar sua jornada espiritual de novo. A religião que ele conhecia tão bem
nunca chegaria a transformar sua vida. Nascer de novo significava que nas
coisas espirituais ele precisava deixar para trás tudo que ele já conhecia e
aprender a viver no Espirito. Jesus sabia que isso seria difícil para um homem
tão cheio de religião, e o fato de Nicodemos ficar perturbado com o que Jesus
disse comprova isso.
E assim é conosco. Quanto mais nos afundamos na atividade
religiosa, mais difícil é ver o reino como ele realmente é. Temos milhões de pessoas no mundo hoje que
afirmam que nasceram de novo, mas não tem a mínima ideia de quem Jesus é ou
como viver em sua realidade. Ele dizem
acreditar nas crenças cristãs, seguem éticas cristãs e praticam rituais
cristãos, mas não sabem como seguir o vento do Espirito e ser transformado por
Ele.
Nascer de novo é um processo que abre nossos olhos e
corações para participar de um reino que
é além do mundo material, muito mais do que fomos ensinados a viver.
Seguindo o vento
Para
ilustrar esse renascimento Jesus usou o vento como uma metáfora e descreveu 3
coisas que são verdadeiras:
Sopra aonde quer – Nenhum homem controla o vento.
Mesmo com nossa avançada tecnologia é controlado por forças maiores que a
influencia da humanidade. Tem vezes que nós gostaríamos que parasse ou soprasse
em direção diferente, mas não há nada que possamos fazer.
Voce ouve seu som – Mesmo sendo invisível, nós podemos
ouvi-lo, senti-lo na pele e ver seus efeitos no mundo ao nosso redor. Nós já
presenciamos a uma semana atrás os ventos de Santa Ana sopraram a 25-30 milhas
por hora, chegando a vezes a 50.Certa manha nossa rua estava cheia de lixo pois
as lixeiras haviam sido derrubadas naquela noite.
Voce não pode dizer de onde veio nem
para onde vai - Voce
nunca se perguntou de onde vem todo esse vento e pra onde ele volta? Eu sei que
ele alterna entre áreas de alta e baixa pressão, mas não sei dizer onde o vento
que passou pelo meu rosto de manha vai parar à tarde.
Que
excelente metáfora pra descrever o trabalho do Espirito. Ele é como o vento,
soprando onde deseja, invisível mas todos notam e é verdade que ninguém
consegue dizer o que Ele pretende cada dia. E mesmo sendo tudo verdade, ainda
não era o que Jesus estava dizendo. Ele comparou o vento a todos que são
nascidos do Espirito.
Isso e´ voce
e eu! Aqueles que são nascidos do Espirito se movem por esse mundo como o
vento. Eles vivem por motivações diferentes. Voce enxerga o impacto que essas
pessoas causam, mesmo que não se consiga saber porque fazem o que fazem.
Pessoas
assim costumavam em deixar maluco. Quando eu era pastor, me incomodava que
alguns dos mais espirituais homens e mulheres que encontrei, não se encaixavam
no programa como eu queria que fizessem. Não se interessavam por posições como
membros, e rejeitavam convites dos nossos anciões. Talvez não fossem tão
espirituais como eu pensava.
Acabei
descobrindo, entretanto, que eles estavam é sintonizados numa frequência maior.
Quando expressava minha frustação com algum deles, simplesmente diziam “ não
sei se sei explicar, mas algum dia voce entenderá”.
Eu não gostava
dessa resposta até o dia em que ouvi eu mesmo dizendo quase as mesmas palavras,
anos depois, a um convite de um grupo de anciões.
(continua...)
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